A Anda Rio das Ostras esteve no feriado prolongado de Corpus Christi em Porto Seguro, cidade da Bahia. Na noite de quarta-feira, 22 de Junho, um grupo formado por cinquenta caminhantes iniciou a viagem que duraria cerca de quinze horas. Na chegada, a recepção ficou a cargo do Secretário de Turismo do município Sr. Guto Jones, que demonstrou gentileza ao agradecer a presença de todos e disse ter a intenção de conhecer Rio das Ostras em breve. O presidente da Anda Rio das Ostras, Sr. James Monteiro entregou ao secretario um kit contendo uma camiseta ilustrada com os circuitos de Rio das Ostras, folhetos e material de mídia com as referências turísticas da cidade. Um outro kit foi entregue como cortesia a ser enviado ao prefeito de Porto Seguro. O material foi uma forma de garantir o intercâmbio entre os municípios e foi encaminhado pelo Secretario Alan Machado.
O objetivo central da ida a Porto Seguro, foi perfazer parte do circuito oficial da Costa do Descobrimento que acontece no calendário da Anda Brasil no mês de abril a cada ano. È um roteiro marcado pela história brasileira e pela cultura nacional. De um lado vivenciamos a história oficial da chegada dos europeus a terra “Pindorama” (assim era chamado o Brasil pelos povos indígenas) e por outro, as belezas naturais de rios, mares, mangues e florestas. Sem dúvida, cada participante saiu com vontade de ficar mais, com um povo simpático e acolhedor como os baianos, o circuito contribuiu para aumentar o orgulho de fazer parte da imensidão que hoje chamamos de Brasil.
Morro Grande
Os caminhantes da Anda Rio das Ostras estiveram presentes no Circuito do Morro Grande – Araruama no domingo, dia 10 de Julho. No local, aproximadamente cem pessoas percorreram a distância de dez quilômetros entre áreas abertas e trechos bem cuidados de Mata Atlântica, mesmo que em propriedades particulares. Mudas de ipês foram plantadas como forma de comprometimento com a natureza.
Em destaque, fica o fato de a Trilha Tupinambá possuir vestígios arqueológicos que datam a cerca de dois mil anos de ocupação. Apesar de não vermos nenhum trabalho científico atualmente. Segundo informações dos organizadores do evento, o principal terreno do sítio, seria o de uma escola municipal. Foi na década de 70 que esses sítios foram descobertos e posteriormente pesquisados. Assim como em outros locais da região, arqueólogos (cientistas que estudam os vestígios materiais produzidos por grupos humanos) encontraram rico material da cultura Tupinambá, peças de cerâmicas, urnas funerárias e tantos indicativos do cotidiano dos primeiros povoadores da faixa entre a Lagoa de Araruama e o mar.
Há um riquíssimo patrimônio histórico em Morro Grande que conta um pouco do passado nacional bem anterior à chegada dos portugueses, mas infelizmente a falta de seriedade do Poder Público, o avanço da ocupação urbana, as máquinas,...qualquer falta de cuidado pode causar a destruição do sítio arqueológico, representando o fim da oportunidade de vislumbrarmos as nossas raízes ancestrais.
Como podemos notar, caminhar surpreende, encanta e ensina, os circuitos são abertos para todos os interessados em interagir com o ambiente, independente da idade, é possível produzir bem estar físico e intelectual. No caso do Morro Grande fica a indignação de saber que seria possível até a criação de um centro turístico regional, um local de memória e valorização da localidade, mas na verdade, são poucas as pessoas que sabem sobre a existência dos achados arqueológicos ou que tenham ouvido falar nos Tupinambás...mesmo sendo moradores da Região dos Lagos ou da Costa do Sol. Vale lembrar que há um museu na Via Lagos uma tentativa de expôr as provas da presença humana por aqui a milhares de anos.
Sana
A Anda Rio das Ostras participou do Circuito APA do Sana - Distrito de Macaé no dia 31 de Julho. A realização do evento ficou a cargo da Associação Macaense de Guias de Turismo.
A região é conhecida principalmente por concentrar belas paisagens. A vegetação natural é exuberante com traços preservados de Mata Atlântica, a presença dos rios é uma constante durante quase todo o percurso de 10 km. Em vários trechos, as corredeiras e cachoeiras emolduram ainda mais o ambiente e são os destinos principais dos frequentadores de finais de semana.
Segundo informações dos organizadores da caminhada, o distrito do Sana possui boa estrutura para a prática do turismo composta por pousadas, restaurantes e áreas de camping. Por ser uma Área de Preservação Ambiental - APA, o desafio é estimular o turismo e ao mesmo tempo garantir a conservação da biodiversidade, pois, o uso sustentável da região é extremamente relevante para assegurar a qualidade de vida das pessoas, animais e plantas.
A participação do grupo de Rio das Ostras sempre é significativa oportunizando a divulgação da cidade nos diversos circuitos oficiais da Anda Brasil, tal engajamento favorece ao caminhante bem estar, saúde física e emocional. Traça intercâmbios como o de Conservatória, município de Valença que encanta por suas famosas serestas e que confabula possível presença aqui na cidade, são contatos culturais feitos pelos amantes do ir e vir.
O ato de caminhar é basicamente simples, considerado um exercício aeróbico, com o aval de um médico, é só andar. Não precisa de equipamentos especiais, um bom calçado adequado ao ritmo, roupas leves, tudo acompanhado pela água a fim de manter a hidratação são quesitos fundamentais.
Walking Rio
Geralmente, quando o tempo está nublado, chuvoso, com aquele friozinho típico, as pessoas não ousam sair de casa. Mas o grupo da Anda Rio das Ostras trata o fenômeno de forma diferente: arruma a mochila, pega a capa e o guarda-chuva e sai a campo.
Foi o que aconteceu no domingo do Walking Rio, dia 21 de agosto, a meteorologia avisou que o dia seria chuvoso, mesmo assim, dois ônibus saíram rumo ao Rio de Janeiro capital. Do Leblon ao Leme extraordinariamente lá estavam os caminhantes que representavam a cidade. Em meio aos milhares de participantes da meia maratona do Rio evento simultâneo ao circuito da caminhada, víamos pessoas conhecidas de Quissamã, Santa Maria Madalena, Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim,...a cada jornada o conjunto das relações inter-pessoais vão favorecendo o mútuo conhecimento.
Pessoas que tendem ao individualismo e á apatia em relação aos outros, não podem entender o diálogo que desafia o tempo chuvoso e faz com que cerca de cem pessoas atravessem a distância de mais de duzentos quilômetros e ir simplesmente caminhar! Essa valiosa comunicação também é reforçada pelo escritor Pedro Casaldáliga- “Caminheiro, só o caminho é que há. Caminho que a gente é. Caminho que a gente faz: Pra viver, pra andar. Para outros caminheiros se ajuntar. Caminho para os parados se animar. Para os perdidos de novo achar. (...)”.
Algumas vezes para a realização/participação nos eventos é necessária a parceria, foi o que aconteceu. Recebemos o transporte da Secretaria de Turismo na pessoa do secretario Alan Machado e nós ficamos gratos e reconhecemos o apoio, o envolvimento do Poder Público Municipal, fortalece a nossa presença enquanto entidade e instiga que membros de outros municípios tenham vontade de nos conhecer para descobrirem Rio das Ostras.
A “esticada” foi na Quinta da Boa Vista, local cheio de histórias e lembranças de cariocas e fluminenses, do museu ao zoológico, um pouco de nós mesmos é encontrado nos espaços, talvez naquele fóssil de dinossauro que intriga e estimula a imaginação ou naquele chimpanzé que faz careta divertindo os visitantes do zôo.